CONTO: O vitral (Osman Lins) - Compreensão e Interpretação Textual
O vitral (Osman Lins) Desde muito, ela sabia que o aniversário, este ano, seria num domingo. Mas só quando faltavam quatro ou seis semanas, começara a ver na coincidência uma promessa de alegrias incomuns e convidara o esposo a tirarem um retrato. Acreditava que este haveria de apreender seu júbilo, do mesmo modo que o da Primeira Comunhão retivera para sempre os cânticos. - Ora... Temos tantos... - respondera o homem. Se tivéssemos filhos... Aí, bem. Mas nós dois! Para que retratos? Dois velhos! A mão esquerda, erguida, com o indicador e o médio afastados, parecia fazer da solidão uma coisa tangível - e ela se reconhecera com tristeza no dedo menor, mais fino e recurvo. Prendera grampos aos cabelos negros, lisos, partidos ao meio, e levantara-se. - Está bem. Você não quer... (A voz nasalada, contida, era um velho sinal de desgosto.) - Suas tolices, Matilde... Quando é isso? Como se a ideia a envergonhasse, ela inclinara a cabeça: - Em setembro - disser...